A ESCOLA CUSQUENHA DE PINTURA

A cidade de Cusco, no Peru, foi a capital do Estado Inca. A cultura incaica estava desenvolvida e sofisticada quando houve a dominação espanhola, liderada por Francisco Pizarro, na primeira metade do século XVI. Os Incas tinham vasto conhecimento de engenharia, astronomia e medicina. Também havia organização social e política bem estruturada e assentada em sólidas bases religiosas e culturais. Existiam estéticas próprias dos povos andinos, mesmo pré-incaicos. Quando os espanhóis chegaram, impuseram a religião católica aos povos nativos. A catequese incluía utilização da pintura para ilustrar eventos da mitologia cristã com os santos e passagens bíblicas. A língua falada nessa região dos Andes era o quéchua. Não havia escrita, apesar de serem feitos registros contábeis muito precisos através de objetos de lã chamados quipús. Aos artistas ou artesãos locais eram apresentados pinturas e desenhos europeus, além do relato de partes da Bíblia e era-lhes solicitada a produção de pinturas e em menor escala esculturas. Os incas pintaram grande quantidade de telas e afrescos, absorvendo elementos do barroco europeu e integrando componentes de suas próprias formas de manifestação artística. Adicionavam sempre informações relativas a seus povos e costumes, como o hábito de mascar folhas de coca (São José e a Virgem Maria são representados fazendo isto numa Sagrada Família, por exemplo), Jesus tinha feições do povo local, as flores e frutos eram andinos, a Virgem Maria fundiu-se à Pacha Mama (Mãe Terra), etc. Isto constituía uma forma de afirmação identitária e preservação cultural, mas também acabou sendo útil aos espanhóis para doutrinarem os incas, pois estes aceitavam mais facilmente os ensinamentos religiosos se pudessem verem-se representados no que era representado pictoricamente. A fusão cultural, ou sincretismo, permanece viva na pintura típica do interior do Peru e demais manifestações culturais e religiosas. Há belíssimas pinturas dos séculos XVI, XVII e XVIII, mas artistas cusquenhos continuam pintando inspirados por seu modo de ver e sentir o mundo, integrando aspectos de origens remotas a suas experiências. Mesmo quando, atualmente, dedicam-se a fazer cópias das pinturas expostas em suas igrejas e museus, modificam-nas, conservando o “espírito” afirmativo, tão autêntico agora quanto o era nos séculos passados.

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