O MONTE DO MAU CONSELHO

O Estado de Israel foi fundado oficialmente em 14 de Maio de 1948 por David Ben-Gurion, ao findar a entidade geopolítica do Mandato Britânico da Palestina (determinado pela Liga das Nações em 1922, em princípio para garantir o estabelecimento pacífico de uma nação judaica e outra árabe no local). Todavia, os judeus já habitavam a região provavelmente por milênios. Ocorreram oscilações das proporções de habitantes em relação aos povos árabes e outros no decorrer da história. Ondas imigratórias tornaram-se mais importantes do final do século XIX até o período em torno da Segunda Grande Guerra. O Movimento Sionista influiu nesse sentido. No dia seguinte ao da proclamação da independência/fundação de Israel teve início uma guerra entre árabes e judeus. Outros conflitos como esse, geralmente motivados por problemas relativos à ocupação do território, têm sido frequentes até os nossos dias. Especialmente após o holocausto causado pelo nazismo passou a ser mais amplamente defendida a necessidade da existência de um Estado judaico e a recém-criada Organização das Nações Unidas teve grande importância nisso.

“O Monte do Mau Conselho” de Amós Oz é composto de três novelas interligadas que têm como tema maior aquilo que experimentavam os judeus, já habitantes da Palestina, no período imediatamente anterior à fundação do Estado de Israel. Passam-se em Jerusalém no final da década de 1940. Nesse período havia o desejo de que os britânicos se retirassem e também o temor da reação dos árabes ao estabelecimento concreto de um estado judaico no local. Esperava-se por uma guerra.

Oz mostra, com a sutileza que lhe é habitual, a tensão constante em que viviam as pessoas. Deixa entrever diferentes significados do momento para os que lutavam para terem um país. Também fica marcada a diversidade entre os judeus que o faziam, não limitada à divisão entre sefarditas e asquenazes. Tem importância o olhar autobiográfico do escritor para as aspirações, perigos e esperanças que o cercavam, enquanto criança já nascida na Palestina e filho de pais imigrantes. Ele registra a instabilidade de seu meio e um tipo de estoicismo necessário para sobreviver nele, assim como foi preciso que tivessem outros judeus em muitos lugares do planeta durante séculos de diáspora. É interessante o fato de que nas três estórias há uma mulher amada, mas algo inacessível ou fugidia, como talvez fosse a ideia de uma pátria para pessoas que tinham a premência de não mais serem estrangeiras no mundo. Tais mulheres contribuem para dar estrutura aos textos, parecem alusões aos afetos em jogo. O autor manteve sempre um tom de juventude, do frescor de quem respeita as questões e refaz as respostas ao tratar das complicadas situações determinadas pela afirmação da existência de Israel. Alguém que não assumiu posições maniqueístas, mesmo defendendo uma legitimidade na qual realmente acreditou.

Título da Obra: O MONTE DO MAU CONSELHO

Autor: AMÓS OZ

Tradutor: PAULO GEIGER

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS      

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