DEMOCRACIA: UM ROMANCE AMERICANO

Henry Adams (Boston, 1838 – Washington D.C., 1918), historiador e escritor estadunidense, descendia de dois presidentes do País. Apesar de ter abdicado de ser um político, tinha íntimo conhecimento do que se passava nas altas rodas deste meio. Escreveu “Democracia: Um Romance Americano”, considerado o primeiro roman à clef da literatura norte americana. Neste tipo de narrativa o autor transforma pessoas e situações que realmente existiram em relato ficcional. No caso deste livro, não foram somente os Presidentes Ulysses S. Grant (1822-1885) e Rutherford B. Hayes (1822-1893) que modelaram o presidente da ficção, mas principalmente o Senador e Secretário de Estado James G. Blaine (1830-1893), que retratado sob o personagem Silas P. Ratcliffe, faz par e contraponto com a viúva Madeleine L. Lee como protagonistas deste interessante romance. Mais do que descrever a atmosfera social das altas esferas de comando em Washington da segunda metade do século XIX, Adams fala das engrenagens da política num regime representativo.  As palavras democracia e política podem assumir diferentes sentidos conforme o contexto e, principalmente, as intenções de quem as profere. Certas significações podem surpreender os mais desavisados sobre o cinismo humano. O autor mostra a desvinculação entre discursos e práticas por aqueles que supostamente representam o povo. Faz um tipo de discussão sobre a ética na política. Sugere a atrofia dos valores morais frente à sede pelo poder e a satisfação de interesses grandemente apartados do interesse público por parte dos eleitos, mesmo num regime denominado democrático. Ele tem o refinamento de não ser simplista. Alude ao emaranhado criado por pessoas e grupos no exercício do poder em que fica muito difícil afirmar o que seria mais honesto e útil fazer, visando o bem de uma nação, ao tomar certas decisões que a tantos atingem. A política não serve ao que pode ser tomado como “bons princípios”. Tal superposição é algo quase acidental. Políticos parecem ser comumente toscos nesta área. Ou perversos. Caso ignorem certas “leis” tendem a cair em desgraça e a serem “cancelados”. Apesar de publicado em 1880 é extremamente atual. A edição da Editora Carambaia é primorosa. O projeto gráfico sofisticado inclui fotos da virada do século XIX para o XX, ilustrando a passagem de um capítulo a outro. A tradução de Bruno Gambarotto é muito boa, assim como seu posfácio. Um volume (que é numerado) para ser lido, apreciado esteticamente e bem guardado.

Título da Obra: DEMOCRACIA: UM ROMANCE AMERICANO

Autor: HENRY ADAMS

Tradutor: BRUNO GAMBAROTTO

Editora: CARAMBAIA     

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