PUREZA

Jonathan Franzen (Illinois, EUA, 1959) sabe contar boas estórias em romances longos. “Pureza” trata de temas que exigem muito de quem proponha-se a lidar com eles. Toca em questões como a natureza da identidade pessoal e a massa de desconhecimento e impossibilidades por trás de sua estrutura, acarretando dificuldades e perigos nas relações entre seres humanos. A fluidez da distinção entre Bem e Mal ocupa grande espaço. Neste escopo é abordada a compulsão pelo poder em suas mais variadas apresentações e a necessariamente inescrupulosa manipulação e submissão de uns por outros. A vida opressiva na Alemanha Oriental durante o período de influência Soviética e aquilo que foi revelado mais abertamente após a dissolução da União Soviética e libertação dos países de sua área de influência, assim como o surgimento da internet em seu papel instrumentador de novas formas comunicação global foram eventos testemunhados pelo autor e são importantes no enredo. Talvez nesse momento da História tenha havido um impacto desestabilizador sobre crenças bem estabelecidas e ferrenhamente defendidas até a altura. A trama é tecida em torno da personagem Pureza, uma jovem tentando conhecer suas origens e interessada em assumir posições moralmente adequadas no mundo que reconhece. Com idas e vindas no tempo e nos focos de análise, Franzen alude à cegueira do homem para as consequências do que faz e do que crê, tanto quando convencido de que pretende o Bem como quando sabe que suas intenções são “impuras”. O trágico acaba por realizar-se, seja nos destinos das pessoas sob um regime totalitário ou nas decorrências do mau uso de tecnologias de transmissão de informação nas redes sociais, que poderiam fazer as vezes de controle e sujeição dos indivíduos mais sutil e amplo do que os empreendidos por governos instituídos. Os personagens têm suas trajetórias entrelaçadas neste contexto e, embora Pureza também seja o título, numa alegoria temática, os protagonistas mais proeminentes são seus pais e um “vazador de dados” no universo cibernético algo inspirado em Julian Assange. Um tipo de nonsense rege a construção das biografias para além da exceção. Muito contemporâneo.

Título da Obra: PUREZA

Autor: JONATHAN FRANZEN

Tradutor: JORIO DAUSTER

Editora: COMPANHIA DAS LETRAS

Pureza1

 

 

 

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