O BUDA NO SÓTÃO

Desde a segunda metade do século XIX japoneses começaram a imigrar para outros países. No início dos anos 1900 a imigração tornou-se mais intensa e muitos foram para a Califórnia. “O Buda no Sótão” de Julie Otsuka (Palo Alto, Califórnia, 1962), premiado com o Pen/Faulkner em 2012, fala disto. Uma narradora conta fragmentos de estórias de diferentes mulheres que partiram do Japão num navio para conhecer seus maridos na costa oeste dos Estados Unidos e passar a viver com eles lá. Várias eram suas origens, idades e motivos para deixarem a terra mãe. Tinham expectativas parecidas quanto a melhores possibilidades de vida do que as que conheciam, prometidas para o novo país. Na chegada ao destino iniciam suas novas trajetórias com muitas surpresas ruins: os maridos muito mais velhos e pobres do que os casamenteiros tinham informado, ter que trabalhar duramente para o sustento básico, ter direitos civis restritos, viver socialmente isoladas por razões diversas, como dificuldades com a língua, a baixa receptividade dos americanos e a precariedade de condições materiais, que determinam sua “instalação” num tipo de classe trabalhadora totalmente estranha aos nativos. Esfacelam-se os sonhos em que flutuaram durante a travessia oceânica. E tudo ainda piora quando atingem a maturidade e deparam-se com a hostilidade do tratamento dado aos nipônicos depois do ataque à base naval de Pearl Harbor, no Havaí, durante a Segunda Guerra Mundial. Os residentes japoneses são aprisionados em campos de isolamento, devido ao temor das autoridades de que eles pudessem auxiliar seus conterrâneos numa possível invasão. De modo original e, especialmente, delicado a autora dá voz às mulheres desse grupo, que tornou-se homogêneo pelas adversidades, mas em que as singularidades pessoais foram conservadas. A beleza da cultura japonesa é pano de fundo nas falas e na criação de um universo tocante. O modo japônico de estar no mundo sobrevive às adversidades. Além disto, este romance é uma homenagem às primeiras gerações de imigrantes, de qualquer nacionalidade e para qualquer lugar, que bravamente lutaram e viveram na zona de tensão entre a preservação da cultura original e a necessidade de adaptação e modificação de hábitos. A beleza permeia a narrativa de Otsuka e faz supor que de beleza essas mulheres (personagens que muito bem representam as reais) nunca foram destituídas.

Título da Obra: O BUDA NO SÓTÃO

Autora: JULIE OTSUKA

Tradutora: LILIAN JENKINO

Editora: GRUA LIVROS

BUDA 3

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