A HONRA PERDIDA DE KATHARINA BLUM

Os fatos geralmente permitem diferentes interpretações. Contêm mesmo certa pluralidade de de sentidos. Ao produzirem-se discursos sobre eles fazem-se revelar também as impossibilidades de construtos universais de significação.  Todavia, quando há boa fé não são permitidas manipulações deliberadas para induzir deduções errôneas ou criar outras formas de mentiras, que são sempre inteiras, pois não existem meias. Mentir é quase sempre imoral, frequentemente deteriorante. O falseamento na transmissão de informação é uma das aberrações possíveis na atividade jornalística. Os meios de comunicação transformam-se em deploráveis dejetos de sua função, em princípio nobre, quando lançam mão do logro em suas atividades. Infelizmente a facilidade para isto tem aumentado com o progresso tecnológico. Os indivíduos, tanto no âmbito público quanto no privado, também podem corromper-se por esta via. É presumível que para estes atores o conceito de desonra seja precário ou mesmo vazio. Heinrich Böll (Colônia, Alemanha, 1917 – Kreuzau, 1985) ganhou o Prêmio Nobel em 1972, em parte por sua luta por maior dignidade no comportamento das pessoas e da vida em sociedade. Em certo momento ele foi vítima de calúnias na imprensa alemã. No pequeno romance “A Honra Perdida de Katharina Blum” Böll conta a estória de uma jovem mulher, cuja firmeza de caráter incluía a lealdade e a coragem, que ocupava-se em superar as adversidades relacionadas aos parcos recursos financeiros, investindo tenazmente no trabalho como meio de alcançar um modo de viver menos carente e mais aprazível e dotava com altas doses de seriedade e generosidade seus vínculos com o mundo. Mesmo sendo reconhecida e amada por suas boas qualidades ela torna-se vítima de um embuste tecido na precariedade ética dos representantes da Justiça com que se depara e pela franca imoralidade de um jornalista e seu jornal. A honra sempre foi guia fundamental no desenvolvimento da protagonista e na sustentação disto ela torna-se realmente criminosa. No texto, em que não há toques de condescendência, o autor dá voz à indignação de todos os que, tendo clareza disto ou não, são prejudicados ou destruídos pela mentira. E, como esta é só falsamente parcial e quase nunca desimportante nem justificável, tende a conspurcar todos aqueles que a elaboram, os que dela servem-se oportunisticamente e também aos que com ela são coniventes, mesmo sem benefícios detectáveis (pelo menos a olho nu).

Título da Obra: A HONRA PERDIDA DE KATHARINA BLUM

Autor: HEINRICH BÖLL

Tradutora: SIBELE PAULINO

Editora: CARAMBAIA

honra2

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