A INVENÇÃO DA NATUREZA

Um dia o rei Frederico Guilherme lV da Prússia disse que Alexander Von Humboldt (Berlim 1769-1859) era “o mais formidável de todos os homens desde o Dilúvio”. Certamente existiram, antes e depois, homens também excepcionais e que como Humboldt mudaram o modo de se compreender o mundo. Mas, ele mereceu a frase do rei. Partindo de uma grande capacidade de observação e de operação criativa das informações, somada ao amor pela Natureza e profundo senso ético, ele gerou montantes espantosos de conhecimento. E mudou a marcha da Ciência. Destemido, ou mesmo temerário, em sua busca pelo saber, Humboldt deixou a tranquilidade de sua Prússia natal, onde tinha privilegiada posição social e fortuna, que consumiu totalmente na aventura intelectual (e bem mais do que intelectual), e viajou muito. Testemunhou (e refletiu brilhantemente sobre) grandes eventos do final do século XVlll e primeira metade do XlX, como a Revolução Francesa, ascensão e queda de Napoleão, as guerras de libertação empreendidas por Bolívar e o nascimento das Repúblicas de Democracias modernas, entre eles. Um universo de transformações.  Na América Latina fez, possivelmente, suas mais importantes descobertas. Escalou o vulcão Chimborazo (hoje, no Equador), notando as diferenças de flora e fauna com a variação de altitudes, percorreu o interior da Venezuela e, ao visitar o lago de Valença, inferiu que a interferência do homem na Natureza poderia causar danos imprevisíveis e extremamente deletérios, ao constatar que o desmatamento objetivando a agricultura havia desertificado os arredores. Comparou a vida natural em diferentes regiões geográficas e percebeu que latitude e altitude eram determinantes fundamentais. Concebeu as primeiras noções de ecologia e de interligação entre os fenômenos naturais, em diferentes pontos do planeta. Era um libertário que incentivou a independência dos países colonizados (especialmente pela Espanha). Abominou a escravatura e o declarou abertamente sempre que teve oportunidade. Escandalizou-se com a capacidade do homem oprimir o homem.  Viveu como desejou em sua vida privada e pública, sempre respeitando seus limites e limitações. Foi amigo e influenciou grandes personagens do mundo científico (embora o conceito de cientista tenha brotado muito depois dele iniciar seus trabalhos e publica-los), da literatura, da arte, da política, da filosofia e mais. Goethe, Thomas Jefferson, Darwin, Gay-Lussac, Schiller, Walt Whitman, Júlio Verne e Ezra Pound foram extensamente inspirados por ele em seus diferentes ramos de produção. Talvez tenha sido o autor mais lido de seu tempo. Todavia, tudo isto é só uma parte de sua história que a escritora Andrea Wulf, nascida na Índia (de origem alemã), conta no livro “A Invenção da Natureza: A Vida e as Descobertas de Alexander Von Humboldt”. Em texto de grande fluidez, ela presenteia o leitor com farta informação e entretenimento culto. Considerado um dos melhores livros de não ficção dos anos recentes, é uma leitura aprazível, que faz a justiça de resgatar para o presente a história deste cientista e humanista tão importante. Uma possibilidade de sentirmos orgulho de nossa espécie.
Título da Obra: A INVENÇAÕ DA NATUREZA: A VIDA E AS DESCOBERTAS DE ALEXANDER VON HUMBOLDT
Autora: ANDREA WULF
Tradutor: RENATO MARQUES

Editora: PLANETA: CRÍTICA

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