O ILUMINISMO E SEUS DESDOBRAMENTOS

O Iluminismo foi um movimento cultural, que floresceu no século XVlll, na Europa Ocidental, mais proeminentemente na França (embora tenha se manifestado também na Inglaterra, Escócia, Alemanha e outros países). Representou uma quebra de padrões de pensamento e comportamento, até então vigentes, em que os indivíduos ficavam quase inteiramente submetidos à Igreja Católica, e eventualmente à nobreza para adquirirem conhecimento e assimilarem normas morais. Tudo era sempre “filtrado”, e acabava por moldar as pessoas aos interesses daquelas duas classes dominantes na organização social. Os pensadores do Iluminismo, como Voltaire, Rousseau, David Hume, Denis Diderot e Adam Smith, entre outros, fomentaram a ideia de que a autonomia de pensamento era fundamental para o desenvolvimento humano. Para alcançar tal autonomia, o homem deveria ter acesso direto à informação, e adquirir capacidade de pensar criticamente sobre ela. Assim como livrar-se de crenças obscurantistas.  Deste modo poderia pautar suas ações por valores e saberes que lhes seriam mais íntimos e autênticos, e poderiam ter maior sentido dentro de sua realidade cotidiana. A criação da Enciclopédia de Diderot e D’Alembert foi muito emblemática desta nova postura, que não se resumia numa forma de “intelectualismo”. Na construção da obra colaboraram diversos pensadores, produzindo uma fonte de informação (35 volumes) acessível diretamente aos interessados na aquisição de conhecimento. O Iluminismo acabou por contribuir para grandes mudanças de comportamento nas sociedades, e ajudou a embasar eventos como a Revolução Francesa e a independência americana, que alteraram a ordem do mundo ocidental. Carreou ideias de justiça social e direitos humanos, que viriam a se definir de modos variáveis, em locais e tempos diversos. As noções de liberdade e responsabilidade individuais estavam embutidas nos ideais iluministas. A partir do desenvolvimento de modos mais racionais de compreender o mundo, as pessoas e as sociedades desenvolver-se-iam de maneira mais consonante com o bem geral.  No final do século XlX, e mais ainda durante o século XX, muitas das esquerdas do Ocidente diziam-se herdeiras do Iluminismo. Tal premissa mostrou-se falsa, especialmente pela quase total perda de autonomia e liberdade dos indivíduos para pensar e agir nas sociedades comunistas, como a soviética, a alemã oriental e a cubana. Isto refletiu-se num modo de funcionamento próximo do religioso (especialmente pelo imperativo de algo próximo da adoração dos líderes, e crenças com estatuto de fé), que era veementemente rejeitado pelos princípios iluministas.
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