EMPIRISMO E CONHECIMENTO

O conhecimento faz-se vivo pela ininterrupta expansão de modificação de construtos. Um dos métodos utilizados para construir conhecimento é o empírico. Talvez fosse melhor usar o termo no plural, pois a palavra admite diferentes sentidos, dentro do campo da filosofia e também da ciência. A questão sobre como se chega ao conhecimento válido e verdadeiro acompanha o ser humano desde os primórdios da História. Tem-se debatido muito a respeito disso. Uma das maneiras de se definir o empirismo é como um modo de se conhecer algo através da experiência (empirismo deriva de uma palavra grega que tem este sentido). O que se denomina experiência, também pode ser tomado de modo plural, mas aqui, talvez fosse mais interessante considerar o sentido da possibilidade de se experimentar a verdade de algo, através da comprovação na realidade passível de ser percebida, e nela, da possibilidade de se testar, re-testar, interpretar, e estabelecer hipóteses e teorias, de algum modo verificáveis, por novos re-testes. Certamente, as formas de aquisição de conhecimento não se esgotam nisso. Nas ciências sociais, por exemplo, métodos empíricos não são aplicados como nas ciências naturais.  Além disso, há questões muito complicadas a serem consideradas, como nossa (im)possibilidade de acesso ao que é real, através do que somos capazes de perceber; adicionalmente, o mundo a ser conhecido está em mutação constante e, talvez, o conhecimento sobre ele se resuma a aproximações, que se tornam impossíveis de serem repetidas, com rigor, em experimentações sucessivas. Muitos pensadores da teoria do conhecimento opõem empirismo a racionalismo, mas a tendência é que estas formas de abordagem dos saberes não se excluam mutuamente. Uma pergunta, a ser respondida empiricamente, está invariavelmente aninhada num conjunto prévio de informações que se fazem inteligíveis por via de uma rede de significações, e estas já estão fora do campo das vivências externas imediatas. Isto relativiza e exige maior complexidade dos métodos empíricos. Vale ressaltar a ideia de que, no pensamento empírico devemos considerar que não há conhecimento cristalizado e eterno, e sim, que este é, e deve ser, perecível e renovável. Os dogmas, nesse campo, não são aceitáveis.
Abaixo: tela de Ernani Pavaneli, “Noite e Dia”, Acrílico sobre tela 100cmX80cm
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