A DANÇARINA DE IZU

A beleza é um atributo de certas experiências sensíveis. Em geral sua vivência não depende da intenção de cria-la, embora seja preciso ter a disposição para capta-la. Tem relação com um tipo de prazer surgido de percepção visual ou auditiva e também da imaginação. Embora possa brotar da indústria humana e esteja presente em objetos destinados a durar ela tem especial dimensão na natureza, onde a transitoriedade é quase uma lei. Japoneses levam isto em conta. Há reverência pelo belo e a contemplação é um dos modos importantes de aproveitar a vida que se tem. Sem muitas aflições com a finitude. Assim, desenvolvem uma espécie postura estética. Yasunari Kawabata (Osaka, 1899 – Zushi, 1972) reflete em sua obra a importância deste aspecto fortemente cultural. Ele ganhou o Prêmio Nobel de literatura. A novela “A Dançarina de Izu” ilustra isto. É cheia de delicadeza, num bonito tributo à atividade contemplativa. Conta a estória de um jovem de 19 anos que viaja pela região de Izu, caminhando e apreciando as paisagens e fenômenos naturais, como a chuva e a névoa. Encontra uma trupe de artistas ambulantes da qual faz parte uma dançarina adolescente e acompanha-os por algum tempo. O motivo principal de segui-los é a atração pela linda jovem, na verdade uma adolescente virgem e que só poderia ser admirada, não tocada. A relação com ela implica o distanciamento e a apreciação de um modelo de amor idealizado. A impossibilidade de ter com ela uma relação sexual ou uma ligação mais duradoura não causa propriamente sofrimento ou mesmo frustração ao protagonista. Emociona-o a existência dela. Assim como a possibilidade do amor. Tudo é desfrutado dentro da comemoração de viver num mundo em que há beleza e amor. Parece que a biografia de Kawabata forneceu-lhe os elementos essenciais para construir este relato, inclusive o conhecimento da privação afetiva através da precoce orfandade e esperança de vir a ser amado no registro do belo. Talvez de integrar-se à beleza do mundo. A leitura do livro, se feita com delicadeza, pode proporcionar uma experiência compatível com as buscas do personagem. No final desta edição há um interessante ensaio biográfico sobre Kawabata de autoria de Meiko Shimon.

 

Título da Obra: A DANÇARINA DE IZU

Autor: YASUNARI KAWABATA

Tradutor: CARLOS HIROSHI USIRONO

Editora: ESTAÇÃO LIBERDADE

DANÇARINA1

 

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