A CRIANÇA QUE LÊ UM LIVRO

Crianças têm que fantasiar. Este é um dos principais recursos para lidarem com o desconhecido. O que, de outro modo, vale também para adultos (se tiverem sorte, em menor escala, com maior diversidade de funções, sujeição ao balizamento pelo pensamento crítico). As fantasias infantis são parte do desenvolvimento das capacidades na estruturação da personalidade, incluindo o instrumental para relacionamento com o mundo. Quanto mais uma criança puder criar, a partir de elementos que lhe são oferecidos, maior tenderá a ser seu patrimônio para transitar num mundo que sempre apresentará mistérios, desafios, demandas e que também a frustrará. Diferentes mídias passaram a ser utilizadas com as cada vez mais sofisticadas tecnologias, destaquem-se as eletrônicas. Algumas ofertam opções atraentes e de fácil apreensão, como joguinhos e variantes. Os filmes e programas televisivos também podem ser sedutores, mas costumam trazer informações já muito elaboradas e em contextos nos quais há pouco espaço para a interferência da imaginação singular da criança, embora não devam ser descartados e sim tomados como fomentos adicionais. Bons livros infantis, especialmente os cuidadosamente ilustrados e com linguagens acessíveis (mas que estimulem o enriquecimento das possibilidades semânticas) tendem a contribuir mais para a ampliação da inteligência, ou de certas dimensões dela, convidando a pequena pessoa a contribuir para o preenchimento dos espaços vazios de conhecimento ou de crenças. A criança estabelece modos diferentes de relação com os livros, comparados a outras mídias. Sua “presença” tem maior relevância na formação de sentidos.  Novas formas de conhecimento e outras configurações de fantasia, que não as suas, criam renovam e engrandecem seu universo. Isto conta para a liberdade do pensar e para os mecanismos de busca da verdade (que será infinita em seu período de vida). Livros infantis contém magias não encontráveis em outros lugares. Não devem ser tomados como formato desatualizado ou ultrapassado de entretenimento, educação e formação. Provavelmente serão eternos.

Abaixo, detalhe de pintura de Pierre-Auguste Renoir (França, 1841-1919), “Tarde das Crianças em Wargemont”; Antiga Galeria Nacional de Berlim

renoir

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