LÚCIO CARDOSO

Lúcio Cardoso (Curvelo, MG, 1912 – Rio de Janeiro, 1968) é um autor para lembrar. Deu-nos boas obras na forma de romances, novelas, poesias, literatura infantil, teatro e também artes plásticas. Seu livro mais admirado é “Crônica da Casa Assassinada”, onde, como em tudo o que fez, imprimiu força estética, racional e afetiva. Ousou com sofisticação. Disse o que muitos preferiram omitir. Sua compreensão do funcionamento do homem não era detida pela conveniência moral, política ou circunstancial. Escreveu para além das membranas externas da vida social: penetrou, atravessou e transcendeu. Conviveu com intelectuais de peso e por eles foi respeitado, talvez reverenciado. Todavia, também sofreu o impacto perturbador de uma sociedade dominada pela superficialidade no tratamento dos valores morais e pelos preconceitos. Tratou disso no que escreveu, se não com crueza com frontalidade, sem hipocrisia. Com isso, por isso e através disso exerceu um tipo de protagonismo intelectual. Para alguns, que liam o homem e a obra, encarnou o belo. Clarice Lispector foi alguém que, fazendo parte de sua cena histórica, experimentou intensos sentimentos por ele, inebriada por este belo. E ela sabia bem o que era isto. “Crônica da Casa Assassinada” é um engenhoso romance que retrata sociedade, família e sinuosidades de indivíduos para tocar naquilo que pode equivaler ao âmagos que se buscam e dos quais (mais frequentemente) se foge. O modo de narrar é muito saboroso (lembra Minas Gerais e outros universos de fronteiras que não se desenham). Desenhar e pintar também foram importantes modos de expressão para Lúcio Cardoso, assim como o teatro. Parecia valer-se de tudo aquilo que podia ser usado como cenário, dar materialidade dramática ou trágica para protagonizar o que pensava e sentia. Entre seus trabalhos mais relevantes, além do citado acima, estão os romances “A Luz do Subsolo”, “O Viajante” e as novelas (gênero em que alguns críticos o consideravam um ourives) “A Professora Hilda”, “O Desconhecido” e “Mãos Vazias” Adoeceu e morreu vitimado por seguidos acidentes vasculares encefálicos, ainda relativamente jovem. Mas sua vitalidade pode sempre vibrar em quem tem o privilégio de lê-lo.

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