LÚCIO CARDOSO

Lúcio Cardoso (Curvelo, MG, 1912 – Rio de Janeiro, 1968) é um autor para lembrar. Enriqueceu a cultura brasileira através de romances, novelas, poesias, literatura infantil, teatro e também artes plásticas. Seu livro mais admirado é “Crônica da Casa Assassinada”, onde, como em tudo o que fez, imprimiu força estética e afetiva. Ousou com sofisticação. Disse o que muitos preferiram omitir. Sua compreensão do funcionamento do homem não era detida pela conveniência moral, política ou circunstancial. Atravessou as membranas da vida social e transitou pelas profundezas. Conviveu com intelectuais de peso e foi por eles respeitado, talvez reverenciado. Todavia, também sofreu o impacto perturbador de uma sociedade conservadora, dominada pela superficialidade das aparências e pela hipocrisia. Tratou disso no que escreveu, com frontalidade e amplidão do olhar. Com isso, por isso e através disso exerceu um tipo de protagonismo intelectual no Brasil dos anos 50/60. Clarice Lispector foi alguém que, fazendo parte de sua cena histórica, experimentou intensos sentimentos pelo homem, além da obra. “Crônica da Casa Assassinada” é um engenhoso romance. Retrata sociedade, família e sinuosidades de indivíduos, tocando em temas difíceis como incesto, homossexualidade e a falsificação nos sentimentos “oficiais” em núcleos familiares. O modo de narrar é muito saboroso (lembra Minas Gerais e alguns outros universos de fronteiras rebeldes às linhas demarcatórias). Desenhar e pintar também foram importantes modos de expressão para Lúcio Cardoso, assim como o teatro. Parecia valer-se de tudo aquilo que podia ser usado como cenário, dar materialidade dramática ou trágica ao que pensava e sentia. Entre seus trabalhos mais relevantes, além do citado acima, estão os romances “A Luz do Subsolo”, “O Viajante” e as novelas (gênero em que alguns críticos o consideravam um ourives) “A Professora Hilda”, “O Desconhecido” e “Mãos Vazias” Adoeceu e morreu vitimado por seguidos acidentes vasculares encefálicos, ainda relativamente jovem. Mas sua vitalidade pode sempre vibrar em quem tem o privilégio de lê-lo.

cardoso 3

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s