O tratamento dos valores e princípios morais que regem as ações humanas pode ter múltiplas vertentes, complementares entre si ou não. Um exemplo é o dos planos deontológico e teleológico da ética. O exercício da ética numa acepção deontológica implica a busca de referenciais relativamente fixos que guiem a checagem dos princípios morais. Tomam-se possíveis fundamentos universais para valores que se prestem a garantir a prática do Bem. Importam menos (ou nada) as consequências práticas, em sua imprevisibilidade, decorrentes da regência dos princípios morais na ação. Esta deve estar sujeita a valores que não podem sofrer inflexões em função das circunstâncias. A moral não deve curvar-se às variações da vida. Por outro lado, a ética denominada teleológica considera as consequências da aplicação de princípios morais na realidade objetiva. Discutir os desdobramentos pós-teóricos da moral torna-se um imperativo ético. Tal necessidade obriga ao exame incessante de aspectos pragmáticos do viver e das relações do homem com seu mundo, que evoluem de modo complexo em conformidade com as mudanças deste homem e deste mundo. As singularidades contam. Valores não se cristalizam, transformam-se. Talvez esta dimensão da ética seja pouco confortável para quem se propõe a considera-la quando mira o Bem. Ela demanda ajustes incessantes e suscita dúvidas que se multiplicam ao invés de serem debeladas. As tecnologias (especialmente de comunicação) têm tornado as sociedades velozes em suas mutações. Muda-se cada vez mais rapidamente de maneiras mais imprevisíveis. As relações entre humanos desafiam a ordem deontológica da ética, assim como ampliam os horizontes para onde devem estar voltados os olhares teleológicos. Cabe ao ser humano multiplicar esforços de aquisição de conhecimento e capacidade de reflexão, dar mais vetores à crítica, ser menos narcisista e egoísta, substituir paradigmas, renovar-se. Sem desistir de buscar o Bem.

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