FERREIRA GULLAR

Ferreira Gullar (São Luís do Maranhão, 1930 – Rio de Janeiro, 2016) foi muito grande. É muito grande. Pela beleza da poesia que nos lega, e também pelos sentidos cambiantes, mas consistentes, que soube dar à sua trajetória de vida. Para o imperfeito desejo de adjetiva-lo, surgem-me palavras como sensibilidade, inteligência, solidariedade, generosidade, honestidade, capacidade de renovação, coragem. Um homem que soube ver a si próprio como um elemento profundamente interligado com o mundo, e responsável por ele. Reflexivo e flexivo. Atuante sempre. Desde sua obra poética, suas declarações corajosamente críticas sobre o bem, que o norteava, até seus atos tão dignos, como recusar a indenização enquanto vítima da ditadura militar, ou doar o dinheiro de um prêmio, para que uma senhora empregada em sua casa pudesse comprar um imóvel, foi sempre fiel à aplicação de seus valores à sua realidade. Um homem ético, soube enfrentar as críticas de uma esquerda, à qual havia pertencido, que o condenou por criticar premissas marxistas, por rejeitar a luta armada, por afirmar que um empresário poderia ser um criador, como um poeta, por condenar falácias. Elegantemente humilde e afirmativo nas mudanças ocorridas em sua visão de mundo. Aderiu e se desprendeu de diferentes movimentos estéticos. Defendeu ideias das quais abriu mão, explicitamente,  quando não cria mais nelas. Refez-se sempre. Amou as pessoas. Amou as ideias. Amou as palavras. Sujeitou-se à verdade. Viva Ferreira Gullar.
 
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