MAO – A HISTÓRIA DESCONHECIDA

Mao Tsé-Tung (1893-1976), denominado por seus seguidores de “O Grande Timoneiro”, a despeito de terríveis eventos a ele associados, foi um líder político e ideológico de grande peso durante a primeira metade do século XX. Criou uma corrente teórico-ideológica do comunismo derivada do Marxismo-Leninismo denominada “Maoísmo”, com seguidores no mundo todo. Ainda hoje há defensores de suas ideias, embora reduzidos em número comparando-se com décadas anteriores. Jung Chang, escritora chinesa que exilou-se voluntariamente, descreveu parte da criação da “República Popular da China” e o que aconteceu no país durante a vigência do poder de Mao. Em parceria com seu marido, Jon Halliday, empreendeu a hercúlea tarefa de escrever uma biografia de Mao. Nesta obra, “Mao – A História Desconhecida”, o casal de autores fala sobre os artifícios usados para criar a figura do homem público. Junto com isto mostram a história real da vida do Timoneiro, que foi sempre maquiada para iludir seu povo. Descrevem algumas das grandes transformações operadas por ele e seus acólitos na vida dos chineses. Em que pese o fato de a análise dos fatos não parecer suficientemente isenta das convicções ideológicas dos autores e das mágoas de Jung Chang em relação ao que foi feito com a China, o livro traz informações interessantes e inéditas, fruto de grande esforço de pesquisa. Apesar de caudaloso é de agradável leitura. Retrata a personalidade de Mao e a importância dela no modo dele governar o país. São grifados seu marcante oportunismo, amoralidade, inconsistência e precariedade intelectual. Tudo isto pesando significativamente nas ações dele, que implicaram eventos demasiado trágicos para a população chinesa. Fala de sua impressionante capacidade para fazer acontecer o que desejava. Seu talento para a manipulação dos que o cercavam e para promover a subserviência acrítica do povo.   Algo assustador, que sempre existiu entre os seres humanos, e que está presente nas fundações de   de Estados totalitários. O totalitarismo é sempre uma ameaça à dignidade dos indivíduos e à civilidade. Mao foi muito longe nisto. Tirou proveito da guerra entre China e Japão e, mais ainda da guerra civil chinesa. Explorou ao máximo e sem escrúpulos o descontentamento das pessoas com a realidade em que viviam durante o período que precedeu sua ascensão ao poder. Iludiu o povo ao apresentar-se como benfeitor. Dois de seus mais trágicos “feitos” foram o “Grande Salto para a Frente” e a  “Revolução Cultural Chinesa”. No primeiro a intenção alegada era de desenvolver a nação industrializando a economia, o que foi feito de modo incrivelmente tosco e causou milhões de mortes por fome, pois a agricultura foi devastada por projetos ensandecidos. Isto acarretou um longo período de fome extrema para o povo. A Revolução Cultural foi uma das maiores e mais exitosas ações do governante no sentido de extinguir a cultura tradicional chinesa. Destruiu grande parte do patrimônio milenar do país e de embruteceu as pessoas. Neste bojo, ele tinha a intenção de “desaburguesar” os costumes e, entre estes, a sofisticação intelectual era considerado um dos piores. Professores universitários eram humilhados publicamente, a população carente de informação e temerosa era induzida a cuspir neles e agredi-los. Quando sobreviviam eram enviados para locais ermos e de vida precária para “aprender” comportamentos “corretos”, como escarrar no chão, comer de modo grosseiro, etc. A liberdade e a autonomia individual para pensar foram praticamente banidas. Era obrigatório que se decorasse o conteúdo do “Livro Vermelho”, de autoria de Mao. A educação ampla foi substituída por doutrinação. O intuito era de criação de um rebanho totalmente fiel a seu pastor, o Timoneiro e, depois, a seus substitutos. Eram indesejáveis os vínculos afetivos entre pessoas (“colaterais”). As singularidades das pessoas eram consideradas desprezíveis. Em um dado momento Mao pretendeu abolir os nomes próprios das pessoas e substituí-los por números. O regime chinês tornou-se um dos grandes expoentes do Estado de exceção. A maioria dos chineses acreditou que tudo estava sendo feito para a construção de um país mais justo e progressista. Ou teve muito medo de demonstrar qualquer discordância. Esta maioria apoiou o governo durante tempo suficiente para que Mao atigisse seus objetivos de dominação do povo. Criou-se a “massa”, abolindo-se a importância do indivíduo e extinguindo-se as instituições representativas. Provavelmente, muitos dos ainda seguidores das ideias de Mao não chegaram a ter uma percepção mais ampla do que realmente aconteceu. Grande parte das pessoas ao redor do mundo também parece não ter uma ideia muito clara do que ocorreu na China durante este período. Assim, há bons motivos para a leitura desta biografia.
Título da Obra: MAO – A HISTÓRIA DESCONHECIDA
Autores: JUNG CHANG e JON HALLIDAY
Tradução: PEDRO MAIA SOARES
Editora: COMPANHIA DAS LETRASmao

 

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