A INVENÇÃO DA ESCRITA

Um dos mais fantásticos produtos da civilização foi a invenção da escrita. Importante produtora de civilização.
O homem deixou de ser nômade para criar assentamentos que depois se transformaram em cidades. Tornou-se apto para modos mais complexos de linguagem e comunicação. Adquiriu capacidades de manejo e melhor utilização de informações. Desenvolveu ferramentas cognitivas especiais para um tipo mais amplo de socialização. Passou a cultivar e criar seu alimento ao invés de colhê-lo ou caça-lo. Começaram a surgir excedentes e praticar-se escambo e comércio. Com isso surgiu a necessidade prática do registro e armazenamento de dados para viabilizar a contabilidade agrícola e transações afins, para o que a memória e o intercâmbio oral eram insuficientes. Havia as pinturas rupestres, que certamente foram também meios destinados a registro e comunicação do pensamento. Todavia, a sistematização era precária.
Os processos que resultaram na criação da escrita desenvolveram-se lentamente. Partiram da representação pictórica de elementos mais concretos da vida cotidiana e sofisticaram-se, rumando para os signos, que propiciaram a inscrição material de ideias abstratas em usos cada vez mais engenhosos. Os ideogramas talvez tenham sido os primeiros elementos de escrita propriamente dita. Eles eram (e são) representações gráficas de objetos e conceitos, desenhos de uma ideia, que primeiramente não tinham ligação direta com a linguagem falada e não representavam sons, eram somente instrumentos de comunicação visual não verbal. Podiam ser usados unitariamente ou em combinações.
Ao que dados arqueológicos indicam a escrita surgiu na Mesopotâmia, entre os Sumérios. Contudo, é possível que já estivesse sendo inventada também em outros locais. Alguns exemplos de ideogramas aparecem na escrita cuneiforme da Mesopotâmia e nos hieróglifos do Egito antigo mais ou menos no mesmo período. Também os Maias tinham os seus. Ideogramas existem ainda hoje na China e no Japão. A escrita ideográfica avançou para a conversão desses desenhos em grafemas, ou seja, signos que representam sons com equivalência na fala.  
Possivelmente os fenícios foram os primeiros povos a decompor palavras em sons simples e adotar signos para eles e que podiam ser recompostos de infinitas maneiras. Criou-se assim o alfabeto. Foi um advento tecnológico de magnitude incalculável, pois conferiu à escrita um poder muito maior de marcação e conservação de apontamentos em diversos campos das necessidades humanas e permitiu seu emprego como veículo de comunicação nunca antes experimentado com tamanha liberdade. Diferentes sistemas alfabéticos foram desenvolvidos, como o latino, o arábico, o hebraico, o grego e muitos outros. A escrita multiplicou-se e diversificou-se em suas finalidades. Subsidiou a memória e possibilitou a criação da História, deu suporte para a imaginação e incrementou a criação e inscrição duradoura da produção intelectual, como a ficção. Dotou-nos com a literatura.
Abaixo “O Escriba” – Museu do Louvre – Paris

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