O CAPITÃO MIHÁLIS

Creta, a maior ilha grega, foi sempre um lugar muito cobiçado por diferentes povos. Lá desenvolveu-se a Civilização Minoica, a mais antiga da Europa. Ao que indicam os estudos arqueológicos, sociedade de grande sofisticação quanto aos costumes, estrutura social e ao domínio de tecnologias de engenharia. Foram comerciantes que se aventuraram corajosamente pelo Mediterrâneo, e influenciaram diversos povos do continente. Emblemáticos desse período, o palácio de Cnossos e o mito do Minotauro ainda estão vivos na imaginação do Ocidente. Após o declínio dos minoicos diferentes povos dominaram a ilha, como romanos, árabes, venezianos e mais recentemente turcos otomanos. Entre os séculos VXII e início do XX, Creta, pertenceu à Turquia. Todavia, grande parte da população era formada por gregos cristãos ortodoxos, que desejavam se reincorporar à Grécia. A ilha foi palco de dramáticos conflitos entre as duas culturas/nacionalidades, com tentativas periódicas por parte dos gregos de expulsarem os turcos, empregando táticas de guerrilha. Neste cenário, no fim do século XIX, Nikos Kazantzákis, também nascido na ilha, ambientou seu romance épico, “O Capitão Mihális”, talvez sua maior obra, embora não a mais conhecida. O personagem que dá título ao romance foi inspirado em seu pai e também no padrão social de homem cretense desse período. Mihális é fascinante por combinar bravura e certa rudeza com sensibilidade e refinamento moral. Algo que parece ter marcado o caráter destes ilhéus neste momento histórico, em que lutavam pela libertação. O protagonista e outros personagens são tão vivos que arrastam o leitor para seu mundo. O leitor é tocado pelo espírito de aventura, que aqui se dá também no âmbito da complexidade de suas estruturas psicológicas e da intrincada estrutura social que condiciona seus relacionamentos. O ódio é oficial, entre os representantes das duas culturas, cristã e islâmica. O amor oficioso, mas pungente. Convivem sob a tensão das forças da inimizade à que a honra obriga, mas estão sempre à beira de sucumbir aos laços afetivos, que o convívio prolongado estabelece e sentimento amoroso genuíno, de quem vê no oponente o mesmo elemento trágico ao qual está condenado e identifica-se solidariamente com ele. O compromisso com a segregação e a tentação pela aproximação, com possibilidade de fusões temerárias, gera a turbulência do enredo. É um texto forte sobre gente forte. Aqui, o Minotauro parece não ter sido realmente morto por Teseu. Vive.

Título da Obra: O CAPITÃO MIHÁLIS (LIBERDADE OU MORTE)

Autor: NIKOS KAZANTZÁKIS

Tradutora: SÍLVIA RICARDINO

Editora: GRUAResultado de imagem para O CAPITÃO MIHÁLIS

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