SABERES, CONHECIMENTO E VERDADE

Nós seres humanos temos que nos basear num conjunto de saberes, nosso conhecimento, para lidar com a realidade na qual estamos inseridos. Estes saberes vão sendo colecionados ao durante a vida, de modo dinâmico, ou seja, transformam-se com a nossa experiência e educação e dificilmente permanecem intactos ao longo do tempo. Alguns são inteiramente descartados, outros são parcialmente mantidos, novos são incorporados. Para que possamos usa-los e sigamos fazendo avaliações e escolhas, atribuindo valores, operando mudanças em nossas trajetórias, etc, precisamos crer, nos momentos em que os usamos, que eles reflitam a verdade. Isto funciona como salvo conduto para transitarmos pela vida, deliberando e tomando decisões, com alguma sensação de segurança. Existem muitas definições para verdade. Por exemplo, pode significar coerência com uma referência, correspondência com ela, também pode ser baseada na conformidade com uma regra ou ainda revelação, como menciona o Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano (Martins Fontes, 2015). Distintas teorias que tratam do conhecimento constroem diferentes conceitos para verdade. Devemos ter em mente que nenhuma definição é suficiente, definitiva ou universal. Sua validade depende do contexto em que está situada. Uma das possibilidades de conceituação de verdade sustenta que ela nunca se transforma num saber, embora transite pelos saberes. Neste sentido, a verdade não se “corporifica” em conhecimento. Ela acaba sempre por conduzir para as bordas que delimitam o saber, evidenciando suas limitações, seu esgotamento e criando a demanda para que se produzam mais saberes. Este processo não cessa. Vale sempre questionar aquilo em que cremos. Não há conhecimento  cristalizável, pois tudo o que o compõe, como intuições, percepções subjetivas, crenças, saberes, indícios e evidências são elementos passíveis de transformação. Podem e devem passar pelo crivo da avaliação crítica e contextualização. O fenômeno da fé está excluído deste campo, pois não se trata propriamente de uma forma de conhecimento como o que foi mencionado acima. A busca da verdade exige esforço, coragem e uma forma de humildade. Talvez mais sábios nos tornemos quanto mais possamos desenvolver estas capacidades, sobretudo este tipo de humildade. Neste sentido, é imprescindível que estejamos frequentemente revendo aquilo que constitui nosso conhecimento sobre o mundo e sobre nós mesmos. Modificando-o. Possivelmente, assim estaremos em consonância com a verdade, enquanto “furo” do saber.

Abaixo, foto de uma tela do artista norte americano Jackson Pollock (1912-1956).

pollock

 

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