MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS

“Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis (Rio de Janeiro, 1839-1908) é o romance que marca o início do realismo na literatura brasileira. Surgiu carregado de novidades no modo de contar uma estória e, mais do que isto, na declaração de uma maneira de interpretar a vida.

É um livro relativamente curto e dividido em mais de uma centena de capítulos. Todos dotados de refinamento estético, de erudição nas citações de precisão cirúrgica e lembrando a maestria de uma grande bordadeira. São recheados de ironia fulgurante. Obra que atesta coragem, exibindo um tipo de franqueza incomum.

O enredo dá-se em torno das memórias de um homem já defunto, Brás Cubas. Ele está desobrigado das conveniências e restrições de falar somente sobre o que é palatável e adequado à boa imagem de si mesmo, de outros indivíduos e no funcionamento da sociedade. Varrem-se as hipocrisias. O cenário é o Rio de Janeiro do século XIX. Todavia, o que traz de mais importante é atemporal e desgarrado de qualquer geografia. Há um olhar agudo para aquilo que é mais fundamental nas pessoas, desenhando um mosaico de boas e más qualidades (talvez com predomínio das últimas). Justapõem-se perspectivas pelas quais os comportamentos podem ser compreendidos como reflexos do âmago do homem, do que é mais verdadeiro, exibindo o esqueleto já livre das carnes. Sutileza e humor. O que se lê aqui poderia instrumentalizar análises de humanos em diferentes contextos. Entre as dimensões plurais desta obra-prima, vislumbra-se também um retrato da sociedade carioca do século de Machado, com detalhes cheios de sabor.

O leitor pode regozijar-se com o destemor do autor em ousar dizer o que lhe importa ofertando a dignidade do riso onde para muitos seria mais cabível a sisudez dissimuladora, talvez pranto ou ao menos um simulacro de tristeza.

“Memórias Póstumas de Brás Cubas” insere-se na linhagem das obras inaugurais, não somente pela introdução de uma nova escola literária, mas pelo que observa e explicita. Universalmente.

Título da Obra: MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS

Autor: MACHADO DE ASSIS

Editora: PENGUIN/COMPANHIA DAS LETRAS  

2 respostas a “MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”

  1. Avatar de tolstoiuolcombr
    tolstoiuolcombr


    Que delícia de resenha, Luís.

    1. Avatar de Luis Justo

      Muito obrigado, querida Anaelena!

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