ANATOMIA DE UM DESASTRE

A corrupção na administração pública tem sido uma das grandes mazelas do Brasil desde tempos imprecisos. O Partido dos Trabalhadores alardeava que coibiria ações corruptas na governança se fosse alçado ao poder. Uma vez eleitos para governar o Brasil os petistas acabaram por elevar as ilicitudes, incluindo o desvio de dinheiro do contribuinte, a índices nunca vistos na história pregressa do país. Fizeram-no com fins diversos, como a promoção de um projeto totalitário de poder, enriquecimento do partido e aliados, financiamento de governos de países que pudessem colaborar neste projeto e, ao que as evidências indicam, para os bolsos particulares dos envolvidos. Isto contribuiu muito para levar o Brasil a um estado de grande dificuldade econômica e moral ao fim dos mais de treze anos em que o PT nos governou. Todavia, os mecanismos econômicos utilizados pelos governos petistas não são tão claramente compreendidos para a maioria da população. Os jornalistas Claudia Safatle, João Borges e Ribamar Oliveira escreveram o esclarecedor “Anatomia De Um Desastre”, em que descrevem de modo objetivo e bem fundamentado com dados documentais as decisões governamentais que determinaram aquilo que estamos vivendo agora. Vale dar relevo ao que contam sobre a influência nefasta das ideias de Dilma Rousseff à partir do momento em que Lula começou a dar-lhe ouvidos em detrimento dos conselhos de outros, como Palocci e seu amigo de longa data Delfim Neto. O combate acirrado de Dilma às ideias de contenção de gastos públicos e ajuste fiscal, estarreceu boa parte da equipe econômica de Lula, mas agradou a ele. Talvez por inépcia, talvez pela crença de que se fortaleceria ainda mais, agradando a descontentes do PT e alguns partidos aliados, e de que ampliaria a falsa imagem de bem feitor dos menos favorecidos, ele encampou as propostas de sua ministra. Foi o fiasco que conhecemos. Possivelmente, ao tempo do impeachment não lhe restassem mais ilusões sobre a capacidade de Dilma para a continuidade do PT no poder, mas já era tarde. Se, por um lado fica patente a total incapacidade dela para tomar qualquer decisão no que concerne à economia (e que se estende a outras áreas), por outro lado, torna-se também evidente que o talento de Lula talvez não vá muito além da expertise para seduzir as massas (e não só os mais carentes), juntamente com um jeitinho especial para acomodar os interesses de políticos à sua volta e sobreviver politicamente à própria inaptidão  para a gestão num sentido mais amplo. A impressão de que Dilma seria alguém fácil de ser “manobrada” por Lula, não se confirmou. Ela é que, em dado momento, conduziu-o. Mais uma vez na história verifica-se que o populismo, incompetência e adesão à corrupção deslavada, acabam por levar ao desastre.
Título da Obra: ANATOMIA DE UM DESASTRE
Autores: CLAUDIA SAFATLE, JOÃO BORGES E RIBAMAR OLIVEIRA
Editora: SCHWARCZ

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