CRENÇAS

Não sabemos com exatidão como se constituem as boas e más motivações dos seres humanos. Não basta dizer que se trata de um amálgama de natureza e cultura. Precisamos de mais. Não só para tentar compreender, mas para melhor moldar a História e sustentar a preservação da vida. Horrorizam-nos os ímpetos agressivos e destrutivos, tanto entre indivíduos, quanto entre seus diversos coletivos. Geralmente pouco propensos a tolerar diversidades. Às forças civilizadoras parece faltar potência para coibir a brutalidade contida nas crenças, construídas e assimiladas sem reflexão crítica, que podem gerar violência. As crenças, produtos e produtoras do desesperado esforço para dar sentido ao que se vive, ou, pelo menos de aplacar o medo do vazio primordial, engendram religiões, nacionalidades, ideologias políticas, moralidades e equivalentes. Terrenos de confrontos. Vale dizer, servem também como instrumentos de manipulação e jugo. Contudo, não se pode ignorar o poder do homem de gerar atos de solidariedade e de compaixão, ou o amor, a música e a arte. Crença no bem. O bem. Talvez importe suportar o conjunto contraditório daquilo em que consiste o humano. O produto do que bordeja o vazio. La Dame à la Licorne Musée Cluny – Paris

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