PORT MUNGO

Há pessoas que, bem mais do que outras, necessitam estímulos intensos e variados  para atravessarem a vida. Talvez assim tentem dar sentido a ela, talvez queiram somente alívio para a angústia em seu viver. Geralmente não admitem permanências longas, às vezes numa acepção concretamente geográfica, às vezes quanto aos vínculos afetivos. Parece ser preciso um transitar contínuo. Qualquer elemento que sirva de referência para a construção de suas histórias está sempre às vésperas de ser descartado. A intensidade de fruição exige movimentos cada vez mais dramáticos. Movimentos estes, como norma, mal sucedidos quanto a cumprir seus desígnios. O vislumbre da futilidade dos jogos a que não cansam de se lançar desespera-as. E assim são sugadas pelo vazio, mais acachapante para os que insistem obsessivamente em descobrir  essências indecifráveis e externas à experiência humana. Neste contexto Patrick McGrath cria seus personagens Jack e Vera no romance Port Mungo. Um casal de aparentes excêntricos que esbarram o tempo todo no desconforto  causado pela da fatuidade de suas escolhas. Inclusive a de um pelo outro. Muito fazem para escapar desta condição. Não podem. Sucumbem. Cada um a seu modo. Nem a arte, que acaba por também ser personagem, cumpre a função de salvadora. Apesar de tudo o que há de sombrio e trágico nesta estória, McGrath tem o talento de saber conta-la bem e isto faz da leitura uma viagem atraente rumo a destinos perturbadores. Título da Obra: PORT MUNGO Autor: PATRICK McGRATH Tradução: CELSO NOGUEIRA Editora: COMPANHIA DAS LETRAS

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